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Papa ataca cultura do ‘descarte’ e do ‘consumo’ em missa na Bolívia

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O Papa Francisco chega para missa em Santa Cruz, na Bolívia, nesta quinta-feirA (9) (Foto: Eduardo Verdugo/AP)
O Papa Francisco chega para missa em Santa Cruz, na Bolívia, nesta quinta-feirA (9) (Foto: Eduardo Verdugo/AP)
O Papa Francisco atacou a cultura “do descarte” e do consumo em sua primeira missa aos pés do Cristo Redentor de Santa Cruz, em seu segundo dia de visita à Bolívia.

“Jesus nos diz nesta praça: ‘Sim, basta de descarte'”, exclamou o papa argentino depois de criticar a “lógica que busca transformar tudo em objeto de troca, de consumo, tudo negociável”, a uma multidão reunida na grande Praça de Cristo Redentor.

Francisco também condenou a lógica que descarta “todos aqueles que não produzem” e não fornecem resultados, apenas porque “não nos dão números, não fecham as contas”.

“Não é necessário que ninguém vá embora. Basta de descarte, dar-lhes de comer”, disse ele, lembrando o Evangelho da multiplicação dos pães e dos peixes.

Em sua homilia, pronunciada pela primeira vez a milhares de índios de várias etnias da Bolívia, quechuas e aymaras, que vieram de diferentes regiões do país, Francisco falou dos esquecidos e descartados no mundo, particularmente as mulheres, que “carregam sobre os ombros (…) as injustiças que não parecem parar”, lamentou.

“Elas carregam a alegria e a dor de uma terra. Vocês carregam a memória de um povo”, reconheceu ao mencionar as populações antigas do continente.

O chefe da Igreja Católica advertiu todos os bolivianos que um povo sem memória ou uma “memória anestesiada” se torna “individualista”, “enfraquece as esperanças” e “perde a alegria”, um conceito que também tratou no Equador, primeira etapa de sua viagem à América do Sul, que começou no domingo e que termina oito dias depois no Paraguai.

“O olhar de Jesus não aceita uma lógica que sempre corta a linha pelo lado mais fraco, dos mais necessitados”, clamou.

Desde o início de seu pontificado, de março de 2013, o Papa tem ressaltado a importância de superar uma “cultura de descarte” e promover a “cultura do encontro” para avançar em direção a um mundo mais justo e pacífico.

“Uma vida memoriosa necessita dos outros, da troca, do encontro, de uma solidariedade real que seja capaz de entrar na lógica de tomar, bendizer e entregar, na lógica do amor”, disse.

Fonte: G1


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